Blog do Desemprego Zero

O crédito-desmatamento

Posted by Beatriz Diniz em 26 maio, 2008

Em Mato Grosso o desmatamento é crescente desde 2000, e a curva de crédito rural é muito semelhante também, o mesmo acontece em Rondônia, para sair dessa situação constrangedora o governo deverá estabelecer condições mínimas para reduzir o risco e a pressão de novos desmatamentos financiados com crédito público.

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: CartaCapital

Por: Maurício Dias

O governo tem sido um dos grandes cúmplices dos vilões do desmatamento na Amazônia. Uma Nota Técnica, assinada por André Lima e Sergio Travassos, respectivamente, diretor e gerente do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente, pode ser uma bússola para as ações do ministro Carlos Minc.

Está comprovada a correlação entre crédito rural e desmatamento.

A nota mostra a situação de Mato Grosso, Pará e Rondônia, responsáveis por 85% dos desmatamentos entre 2005 e 2007. Esses três estados também absorveram 81% do crédito rural oficial dirigido ao Bioma Amazônico em 2006.

Nesses três estados, a curva de crédito rural parece um espelho da curva do desmatamento.

Em Mato Grosso, governado pelo impetuoso Blairo Maggi, o desmatamento é crescente desde 2000 e chega ao pico em 2004. A curva passa a ser descendente nos três anos seguintes. O volume de crédito rural é contínua e vertiginosamente crescente a partir de 1999, atingindo o pico em 2004 (aumento de mais de 400% em cinco anos). Decresce nos anos de 2005 e 2006.

Entre 1996 e 2006, a área de pasto no Pará cresceu 77% e chegou a 13 milhões de hectares. Nesses dez anos, o estado recebeu 3,16 bilhões de reais em crédito rural oficial para agricultura e pecuária, sendo 2,15 bilhões de reais para pecuária e 1,01 bilhão de reais para agricultura.

A área de pasto cresceu 73% entre 1996 e 2006, passando de 2,9 milhões para 5 milhões de hectares. Foi investido, no mesmo período, 1,92 bilhão de reais em crédito rural oficial para agricultura e pecuária, sendo 1,35 bilhão de reais para pecuária e 570 milhões de reais para agricultura.

Em Rondônia, as curvas de taxa de desmatamento e de tomada de crédito rural também são muito semelhantes. De 2001 a 2004, o desmatamento subiu 41%, tendo sido adicionados 13,2 quilômetros quadrados de áreas para agropecuária. A oferta de crédito cresceu substancialmente, saltando de 123 milhões de reais em 2001, para mais de 450 milhões de reais no ano de 2004. O pico do crédito e do desmatamento é o ano de 2004.

Para sair dessa situação constrangedora, o governo terá um instrumento fundamental. A partir de julho, entra em vigor a resolução do Banco Central que estabelece condições mínimas necessárias para reduzir o risco e a pressão de novos desmatamentos financiados com crédito público.
Há pressões fortes para que a data seja protelada. Minc terá de exercitar como um mestre a arte de descascar abacaxis. 

O recado do sertanista

Um jornal americano (o The New York Times) e um inglês (o The Independent) reativaram nos últimos dias o pesadelo brasileiro com a soberania na Amazônia.

A pressão internacional é antiga. Com o passar dos anos, tem se tornado mais intensa. A acusação de que o Brasil não mostra capacidade para administrar aqueles 5 milhões de quilômetros quadrados – que significam 61% do território nacional – é biombo de interesses econômicos. Mas tudo é facilitado pelos governos que, sobre a questão amazônica, transitam da indiferença para a cumplicidade e vice-versa.

Agora que o assunto esquenta, é aconselhável repetir trechos da entrevista feita anos atrás, para a televisão, pela jornalista Paula Saldanha com Orlando Villas Bôas. Eis o ponto decisivo da conversa do sertanista falecido em 2002:

“Soube de fonte muito boa que 10 ou 15 ianomâmi estão na América aprendendo inglês (…) Essa gente volta liderando, falando inglês, com uma outra mentalidade. E o que eles vão fazer? Vão pedir um território ianomâmi desmembrado do Brasil e da Venezuela. E a ONU dará como tutora a América do Norte. Amor dos americanos pelos ianomâmi? Não, não senhor”.

A tropa da “quinta-coluna” na imprensa brasileira costuma chamar isso de paranóia. 

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