Blog do Desemprego Zero

Brasil avança na capacidade de inovar

Posted by Beatriz Diniz em 30 maio, 2008

A meta do governo, com a participação do Ministério da Ciência e Tecnologia, é aumentar os gastos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor privado para 0,65% até 2010, com financiamento, incentivos e recursos para capital de risco.

Segundo o presidente da Finep, Luis Manuel Rebelo Fernandes, só recentemente o País recuperou a capacidade de investimento em C&T que dispunha nos anos 1970. Marcio Pochmann, do Ipea, afirmou que o subdesenvolvimento brasileiro não é uma etapa facilmente superada. “O tema da inovação nesse contexto é fundamental, mas não se isola de outras questões”.

*Por Katia Alves, editora

Publicado originalmente na Gazeta Mercantil

Por Ana Cecilia Americano

O Brasil nunca esteve tão bem aparelhado para inovar. Há recursos disponíveis – só o Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FNDCT) dispõe de R$ 2 bilhões este ano e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) de outros R$ 2,5 bilhões, para citar dois exemplos. Dispõe de 80 mil pesquisadores em todo o País. Tem assinado 1,9% dos artigos científicos publicados internacionalmente, um índice que corresponde à participação do PIB brasileiro no total do PIB mundial, o que significa que o País tem produção científica compatível ao tamanho de sua economia no mundo. Mas, por outro lado, apenas 0,51% dos investimentos do setor privado são destinados ao esforço de introduzir novas tecnologias, produtos, metodologias e arranjos logísticos na cadeia produtiva. E, para piorar, a produção de patentes brasileira é marginal: meros 0,2% do total mundial. 

Com esse quadro como pano de fundo apresentado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, o XX Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), iniciou o seu 5º painel. Entre os convidados estavam, ainda, o presidente da Finep, Luis Manuel Rebelo Fernandes; o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann; o diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Carlos Alberto dos Santos, além de outros palestrantes de entidades empresariais.  “Segundo dados do Ipea, as 1,7% das empresas que realmente inovam nesse País detêm 26% do faturamento total”, disse o ministro Sergio Rezende à abertura do evento. A meta do governo, com a participação do Ministério da Ciência e Tecnologia, é aumentar os gastos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor privado para 0,65% até 2010, com financiamento, incentivos e recursos para capital de risco. “Queremos tornar as empresas brasileiras competitivas”, comprometeu-se Rezende. O caminho, apontou ele, passa por apoiar a pesquisa e desenvolvimento entre as médias e grandes empresas, aumentar o acesso ao crédito para a inovação entre as micro e pequenas e apoiar as empresas inovadoras em tecnologia de forma a que sobrevivam, ganhem mercado e escala.

“Vamos usar o poder de compra do estado para apoiar empresas intensivas em tecnologia com encomendas”, prometeu o ministro, que também informou estar estruturando o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) no intuito de formar uma rede com institutos de pesquisa federais, estaduais e privados focada no apoio ao desenvolvimento das empresas. Rezende tem como meta que o investimento em ciência, tecnologia e inovação atinja 5% do PIB brasileiro já em 2010.

Será esta meta alcançável? Segundo o presidente da Finep, Luis Manuel Rebelo Fernandes, só recentemente o País recuperou a capacidade de investimento em C&T que dispunha nos anos 1970. Contudo, ele frisou a importância da “grande novidade institucional” que seriam os instrumentos de subvenção econômica para alavancar a inovação no setor privado. Esses recursos do governo federal são alocados diretamente nas empresas para o desenvolvimento de ciência e tecnologia a fundo perdido e foram criados pela Lei de Inovação de 2004. “Agora, com a subvenção, é possível compartilhar entre governo e empresas o risco de desenvolver C&T”, disse. Do total destinado à subvenção, explicou, um terço, a grosso modo, é investido em pesquisa básica; um terço em parcerias entre as instituições científicas e as empresas; e o terço restante como apoio direto às empresas. “Ampliamos o horizonte de apoio”, comemorou.

Para Marcio Pochmann, do Ipea, contudo, o subdesenvolvimento brasileiro não é uma etapa facilmente superada. “O tema da inovação nesse contexto é fundamental, mas não se isola de outras questões”, disse. Para ele, é preciso que ela esteja articulada com o avanço de todo o sistema produtivo, inclusive com as questões sociais envolvidas. A concentração da riqueza é o ponto fraco da equação. “A participação dos 10% mais ricos no total da riqueza nacional era de 75,5% ao final do século XX”, comentou. “E inverter a tendência da participação da renda do trabalhador no PIB – que era de 57% nos anos 50 e esteve em 39,1% em 2005 – é um desafio”, provocou.

Pochmann também apontou outro viés preocupante. “A baixa taxa de inovação está ligada também à dependência tecnológica brasileira. Assumiu-se uma idéia que a globalização poderia permitir a compra da tecnologia como se ela fosse um item de supermercado e com isso houve o abandono do esforço nacional do setor privado de investir em desenvolvimento de C&T”, frisou. Para ele, outro problema é a grave concentração dos esforços de inovação entre as grandes empresas e em estados mais desenvolvidos.

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