Blog do Desemprego Zero

Goebbels e o comércio internacional

Posted by heldojr em 21 julho, 2008

Os representantes do povo em uma democracia representativa, eleitos direta ou indiretamente, frequemente se deparam com situações onde sua individualidade esbarra nos rumos de uma negociação. Parece ter sido esse o caso, do encontro na Rodada de Doha que começa hoje (21/07/2008). A infeliz (mas talvez pertinente) declaração do Ministro Celso Amorim: “Isso me recorda Goebbels”, sobre as informações divulgadas pelos países desenvolvidos quanto a sua disposição em adiantar as negociações. E continua, “Essa é uma afirmação sob medida para aqueles que não querem fazer sua parte em agricultura.” (http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/07/19/amorim_acusa_paises_ricos_de_manipular_informacoes_sobre_doha-547325620.asp)

E a estratégia deliberada americana de, supostamente, desqualificar a posição brasileira por causa da declaração do nosso chanceler, parece ainda mais esdrúxula. Afinal, um representante popular (no caso a sensível Susan Schwab) não pode colocar sua individualidade à frente dos interesses comerciais de um país (no caso os Estados Unidos). Além disso, o parentesco com sobreviventes do holocausto não impede ninguém de assumir posições duvidosas. Mais pragmática parece ser a posição do representante britânico, Peter Mandelson, que sugerira deixar Goebbels de lado. (http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/07/20/analogia_de_amorim_sobre_tatica_nazista_de_ricos_vira_arma_contra_brasil_na_omc-547329680.asp)

A verdade é que a proposta dos países desenvolvidos de aumentar os produtos sensíveis, aqueles sobre as quais as reduções tarifárias seriam menores, mas cujas quotas de importação seriam elevadas, parece ser contraproducente ao avanço das negociações. Além da justiça social, pela qual aqueles que tem mais devem ceder mais nas relações de troca, o Ministro brasileiro já ressaltava em fevereiro a posição pragmática dos países em desenvolvimento:

Não somente porque é uma questão de justiça, e sim por uma razão histórica, já que as negociações comerciais de outras rodadas passadas sempre se concentraram em produtos manufaturados e os bens agrícolas ficaram relegados para trás. (http://noticias.uol.com.br/ultnot/economia/2008/02/29/ult35u58381.jhtm)

O fato concreto é que há, em nível global, um arrefecimento dos fluxos comerciais. Segundo dados do “International Centre for Trade and Sustaintable Development” a ampliação do comércio mundial caiu de 8,5% em 2006, para 5,5% em 2007 e deve diminuir para 4,5% em 2008. (http://ictsd.net/downloads/pontes/pontes4-2.pdf, p. 1) Ou seja, parece que está havendo um certo refluxo no processo de liberalização dos mercados internacionais. Nesse caso, as declarações do nosso Ministro parecem ser apenas uma desculpa para um fracasso anunciado.

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