Blog do Desemprego Zero

Metas de inflação e as ferramentas de política econômica

Posted by heldojr em 21 julho, 2008

Como sugestão do Gustavo
Heldo Siqueira*, 25 de março de 2008 Tema recorrente na cobertura econômica atual, a inflação parece realmente a maior preocupação para o BC. A última ata do COPOM demonstra essa atitude e alerta para o crescimento da demanda, que geraria uma pressão inflacionária. Nessas condições é importante analisar de que se trata o regime de metas para inflação e os instrumentos para a análise. Segundo Curado e Oureiro Um regime de metas de inflação é aquele no qual as ações da política monetária, sobretudo a fixação da taxa de juros básica, são guiadas com o objetivo explícito de obtenção de uma taxa de inflação (ou de nível de preços) previamente determinado.  (Metas de inflação: uma avaliação do caso brasileiro, 2005) Trata-se de uma determinação simples e positiva, sem margem para interpretações ambíguas. Por outro lado, a aplicação do regime utiliza um método bem menos preciso. Qualquer modelo estatístico possui como propriedade uma margem de erro. Essa margem é propriedade da amostra que se monta, portanto, mesmo os modelos mais sofisticados devem ter uma margem de erro. Para que essa margem seja eliminada, deve-se aumentar a amostra a infinito, ou, dito de outra forma, analisar toda a população (o que deixaria de ser uma medida estatística para ser uma medida aritmética). No caso brasileiro, a margem de erro para a medida da inflação monitorada pelo BC é 2%. Isso significa que o IBGE (que mede o IPCA) pode determinar o intervalo por onde a inflação passou, seu nível de maior probabilidade, mas nunca (a não ser que seja uma medida aritmética) determinar quanto foi a inflação no período. Nessas condições, o centro da meta de inflação é COMPLETAMENTE independente do centro da distribuição de probabilidades. Buscar o centro da meta é uma questão de fé absoluta na medida estatística, uma fé que não se justifica pelas próprias propriedades do método. Ou seja, trata-se de um desconhecimento da ferramenta disponível para a execução da meta, ou, em termos populares, incompetência.  

A questão que segue é quanto ao centro ou teto da meta. Pela propriedade do método, não existe nenhum motivo para achar que uma inflação abaixo da meta é melhor que uma inflação na meta ou acima da meta. Principalmente porque o IBGE não sabe se a medida é aquela mesma! Por fim, vale uma lembrança dos manuais de microeconomia quanto à maximização individual dos agentes e os índices de preços. Como na verdade os agentes maximizam várias mercadorias (e não apenas renda como prega a teoria macroeconômica) quando os seus preços variam, a cesta se modifica. A questão é que se alguns preços aumentam mais que outros, os agentes tendem a consumir mais das mercadorias relativamente mais baratas e menos das mais caras. Por conseqüência, a inflação real tende, dada uma amostra fixa, a ser menor que a medida. 

*Graduação em economia pela UFES

 

 Fonte: http://www.economia.ufpr.br/publica/textos/2005/Marcelo%20Curado_Oreiro.pdf 

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