Blog do Desemprego Zero

A Rodada de Doha e o pós-neoliberalismo

Posted by heldojr em 23 julho, 2008

A reunião de abril da Rodada de Doha, em Cingapura, já havia fracassado em estabelecer um acordo que agradasse os diversos interesses internacionais. Na verdade, observamos um recrudescimento da disposição, em nível global, dos agentes em liberalizar seus mercados. Talvez a principal modificação nesse cenário esteja em uma nova atitude dos países em desenvolvimento, em relação ao foco das discussões. Segundo o Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim:

Não somente porque é uma questão de justiça, e sim por uma razão histórica, já que as negociações comerciais de outras rodadas passadas sempre se concentraram em produtos manufaturados e os bens agrícolas ficaram relegados para trás. (http://noticias.uol.com.br/ultnot/economia/2008/02/29/ult35u58381.jhtm)

Na tentativa de dar segmento às negociações, os americanos vieram para a atula reunião, em Genebra, com uma proposta uma proposta de reduzir o teto para subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. Os representantes brasileiros esperavam um limite de US$ 13 bilhões para seguimento às negociações. Por outro lado, a proposta dos países desenvolvidos de aumentar os produtos sensíveis, aqueles sobre as quais as reduções tarifárias seriam menores, mas cujas quotas de importação seriam elevadas, parece ser contraproducente ao avanço das negociações. Para Amorim, as negociações ainda estão no início, de forma que ainda há muito o que avançar. (http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/07/22/eua_oferecem_reduzir_teto_de_subsidios_agricolas_us_15_bilhoes_mas_brasil_acha_insuficiente-547355270.asp)

O fato concreto é que há, em nível global, um arrefecimento dos fluxos comerciais. Segundo dados do “International Centre for Trade and Sustaintable Development” a ampliação do comércio mundial caiu de 8,5% em 2006, para 5,5% em 2007 e deve diminuir para 4,5% em 2008. (http://ictsd.net/downloads/pontes/pontes4-2.pdf, p. 1) Parece que está havendo um refluxo no processo de liberalização dos mercados internacionais. A expressão utilizada pelo presidente do IPEA, Márcio Pochmann, que definiu o momento atual como o pós-neoliberalismo, parece ser útil para entendermos o rumo das negociações comerciais. Ou seja, o espaço para novas liberalizações dos mercados, em nível global, pode estar no limite, e o fracasso da Rodada de Doha pode ser um sintoma importante.

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