Blog do Desemprego Zero

Archive for the ‘Rodrigo Medeiros’ Category

Os custos da “independência” do Banco Central

Posted by Rodrigo Medeiros em 27 maio, 2008

Rodrigo L. Medeiros *

 

Entre as máximas da finança ortodoxa, seguramente nenhuma é mais anti-social que o fetiche da liquidez, a doutrina que diz ser uma das virtudes positivas das instituições investidoras concentrar seus recursos na posse de valores ‘líquidos’. A finalidade social do investimento bem orientado deveria ser o domínio das forças obscuras do tempo e da ignorância que rodeiam o nosso futuro. Não há evidência clara que a política de investimento socialmente mais vantajosa coincida com a mais lucrativa (KEYNES, 1982, Capítulo 12, V) [I].

 

O Banco Central do Brasil, em seu relatório de mercado, o Boletim Focus, de 23 de maio de 2008, aponta no sentido de déficits nas transações correntes para 2008 e 2009. Além disso, ele aponta também no sentido do viés de alta para a taxa básica de juros, a Selic: 13,50% a.a. para o final de 2008.

Não é preciso muito esforço para se perceber quais os efeitos negativos reais na economia brasileira. Câmbio valorizado acima do diferencial de produtividade do Brasil em relação aos seus principais parceiros comerciais só pode mesmo gerar perda de competitividade e desinvestimento [II]. A elevação dos juros impacta na formação bruta de capital (investimento produtivo), que tem girado abaixo dos 18% do PIB brasileiro. Abaixo, portanto, dos 25% necessários para que se ingresse em um ciclo virtuoso de crescimento sustentado.

Investimentos produtivos são contidos pelo viés de alta dos juros e, conseqüentemente, a precarização das relações de trabalho (desemprego mais subemprego), hoje realidade para 49% da população economicamente ativa brasileira, não é combatida de forma eficaz [III]. O governo do presidente Lula, por sua vez, aposta na nova política industrial para compensar o pesadelo que é a administração da política monetária vigente. Seria melhor se o bom senso prevalecesse. Leia o resto deste post »

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Quem confia na sabedoria convencional?

Posted by Rodrigo Medeiros em 5 maio, 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Causa certo espanto o silêncio que a coletânea de artigos de John Kenneth Galbraith (1908-2006) provoca. Sob o título ‘Galbraith essencial’ (Futura, 2007), o livro reúne os principais textos do grande economista radicado nos EUA.

Galbraith foi um contestador do senso comum e cunhou expressões famosas como “poder compensatório” e “sabedoria convencional”. Foi antes de tudo um inovador da escola institucionalista e apoiou-se academicamente em intelectuais do porte de Thorstein Bunde Veblen e John Maynard Keynes.

No que diz respeito ao momento brasileiro, suas observações sobre a sabedoria convencional merecem atenção. Segundo Galbraith, a sabedoria convencional apóia-se nas idéias aceitáveis para buscar estabilidade. Sua articulação é prerrogativa de pessoas que buscam influenciar processos. Leia o resto deste post »

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A volta da política dos governadores, o fim do dilema PT x PSDB e o resurgimento do Desenvolvimentismo

Posted by NOSSOS AUTORES em 1 maio, 2008

Gustavo Antônio Galvão dos Santos * e Rodrigo L. Medeiros **


José Murilo de Carvalho descreve em um belo livro, ‘A formação das almas: o imagiário da república no Brasil’ (Companhia das Letras, 1990), ser uma tarefa complexa a substituição de um regime. Entre as suas diversas e preciosas observações sobre a formação republicana brasileira, merece destaque a seguinte: “O instrumento clássico de legitimação de regimes políticos no mundo moderno é, naturalmente, a ideologia, a justificação racional da organização do poder” (p.9).

Desde 1873, havia em São Paulo o partido republicano mais organizado do país. A respectiva província encontrava-se asfixiada politicamente pela centralização monárquica e experimentava um surto de expansão cafeeira. Para os grandes proprietários que compunham o Partido Republicano Paulista (PRP), uma república ideal deveria basear-se no federalismo norte-americano. A esses era conveniente uma constituição individualista do pacto social, pois a mesma evitaria a ampliação da participação popular. Não se pode olvidar que a postura liberal do PRP baseava-se no darwinismo social, inspirado em Spencer, a grande influência do principal teórico paulista da República, Alberto Sales. No Brasil, o liberalismo adquiria progressivamente um caráter de acomodação e naturalização das desigualdades.

O que a Nova República teria a ver com isso? Tratar-se-ia do passado que se repete como tragédia e farsa? Luis Nassif, por exemplo, disse o que muitos cientistas políticos estão demorando para perceber: o presidencialismo brasileiro torna os governos reféns da “governabilidade” e que a realidade está esfacelando tudo o que se imagina ser partido político no Brasil. Leiam aqui

Onde então estariam efetivamente os partidos de base popular e das demais classes sociais? A professora Maria da Conceição Tavares, por sua vez, disse que eles não existem nas Américas. De fato, Conceição Tavares tem alguma razão, pois os partidos de classe no Brasil não resistem à realidade nacional. Em São Paulo, por exemplo, essa concepção pôde fazer um pouco mais de sentido, dado que na grande ABC havia um grande operariado. Leia o resto deste post »

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EDMUND PHELPS, NOBEL DE ECONOMIA 2006, É ENTREVISTADO NA VEJA

Posted by Rodrigo Medeiros em 29 abril, 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Na sua edição de 30 de abril de 2008, páginas amarelas, a revista Veja entrevista Edmund Phelps, Nobel de Economia 2006. Phelps fala sobre a recessão nos EUA e faz alguns comentários sobre a América Latina e o Brasil.

Na entrevista, a Veja puxa o assunto do “pleno emprego”, sinal de que a gradual oscilação do pêndulo político-ideológico preocupa os conservadores no Brasil. A visita a este blog de anônimos, que se escondem covardemente atrás de pseudônimos, não deve ser encarada como mera coincidência do tempo presente.

Analisando a crise nos EUA, Phelps é enfático: “Seria útil se os Estados Unidos colocassem em prática a regulamentação que já existe. Minha impressão é que o Federal Reserve [o banco central norte-americano] não foi tão crítico quanto deveria ter sido em relação às práticas de empréstimo no mercado” (p.15). Como discordar do doutor Phelps nesse ponto? Leia o resto deste post »

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Chegou o tempo dos idealistas

Posted by NOSSOS AUTORES em 28 abril, 2008

Rodrigo Loureiro Medeiros** & Gustavo Santos *

Todas as sociedades vivem embates internos parecidos com os descritos por José Ingenieros em ‘O homem medíocre’, cuja primeira edição data de 1913 [i]. Ingenieros analisa como duas forças se chocam nas sociedades e definem os rumos da sua evolução. Idealismo e mediocridade são essas forças.

Os idealistas podem ser divididos em dois grupos: românticos (paixão) e estóicos (virtude). A maturidade e o acúmulo de experiências são caminhos que levam os românticos ao estágio dos estóicos. Medíocres são pessoas sem ideais. Possuem idéias que se baseiam no senso comum; são pragmáticas, intransigentes e rejeitam o bom senso.

José Ingenieros argumenta ao longo do seu clássico ser a mediocracia perigosa para as sociedades, pois ela trava os respectivos progressos sociocultural, institucional, econômico e tecnológico. Uma das faces do projeto mediocrático no Brasil é a seguinte: “O custo da mão-de-obra é caro neste país e, por isso, não se tem competitividade global”.

Não é preciso muito esforço para se demonstrar que os custos do fator trabalho nos EUA, no Japão e na União Européia, por exemplo, são mais elevados do que os praticados no Brasil [ii]. A questão górdia do processo evolucionário das organizações está na busca pelo desenvolvimento de sistemas produtivos mais eficientes (grau de utilização dos fatores de produção) e eficazes (alcance dos objetivos a partir da utilização dos fatores de produção). Dificilmente o Brasil se viabilizará como nação a partir do padrão asiático. O enorme giro da mão-de-obra nas empresas traduz a opção tardia pela internalização do fordismo no Brasil. De 1980 a 2005, houve perdas de 20% do poder aquisitivo dos trabalhadores, ao passo que a produtividade permaneceu estagnada [iii]. Como se pode esperar debater seriamente competitividade sistêmica, produtividade e inovação no século XXI a partir da perspectiva mediocrática? Leia o resto deste post »

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Leituras em Economia e Administração ( lançamento )

Posted by Rodrigo Medeiros em 10 abril, 2008

Livro: Leituras em Economia e Administração

Organizador: Wilson Alves de Araújo

ISBN: 978-85-60951-02-4

Ano: 2008

Páginas: 150p

Editora: Opção livraria e editora

Contatos: editora@opcaolivros.com.br

Resenha escrita por Rodrigo Loureiro Medeiros*

Desde a década de 1970 observa-se uma seqüência de fatos que influenciou os rumos do sistema economia-mundo. A ruptura do padrão dólar-ouro, os sucessivos choques do petróleo e a emergência do paradigma de produção flexível integram esse complexo quadro. O paradigma fordista foi cedendo gradualmente espaços para a eficiência do Sistema Toyota de Produção.

Para os países do denominado Terceiro Mundo, essas transformações viriam acompanhadas da elevação brutal da taxa básica de juros nos EUA. Governos conservadores anglo-saxônicos – Margaret Thatcher (GB) e Ronald Reagen (EUA) – promoviam ideologicamente um retorno ao clássico liberalismo econômico. A América ibérica, por sua vez, iria encarar a crise da dívida externa e a desorganização das finanças públicas ao longo dos anos 80. Na década seguinte, a onda neoliberal – desregulamentação, privatização e liberalização da conta de capitais – marcaria um processo de destruição não-criadora vivenciado pelos povos da região. O desemprego e a informalidade nos mercados avançavam nas respectivas economias e o tão sonhado projeto de integração sul-americana perdia fôlego.

Imersos em problemas internos e presos a uma agenda do passado, as sociedades ibero-americanas ingressariam no terceiro milênio com a árdua tarefa de enfrentar desafios de naturezas diversas. No campo das demandas sociais, as agendas de urgência não poderiam ser abandonadas. A estrutura econômico-produtiva, por sua vez, reclamava uma revisão em prol de uma maior competitividade internacional. O Leste asiático caminhava a passos largos para se tornar a oficina do mundo. Como os países ibero-americanos deveriam se posicionar? Leia o resto deste post »

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Perspectivas econômicas da recauchutagem do continuísmo

Posted by Rodrigo Medeiros em 25 março, 2008

Rodrigo Loureiro Medeiros*

O relatório de mercado do Banco Central do Brasil, o Boletim Focus (20/03/2008), vem apontando tendências preocupantes. Segundo as estimativas, há perspectivas de déficits em transações correntes para 2008 (US$-9,75 bilhões) e 2009 (US$-13,00 bilhões). O ritmo de crescimento econômico, por sua vez, deverá sofrer desaceleração nos próximos tempos, 4,5% para 2008 e 4,0% para 2009. Abaixo, portanto, dos 5,4% de 2007.

Onde estariam os efeitos multiplicadores do PAC?

Quanto à Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, o respectivo relatório aponta para 12,00%a.a., em 2008, e 11,75%a.a., em 2009. Profecias auto-realizáveis? Parece até um reforço, uma espécie de tropa de choque, para Meirelles manter elevada a taxa básica de juros brasileira. Não se pode deixar de notar que as médias das taxas básicas nominais dos países estão na casa de um dígito há algum tempo. Quando se descontam as respectivas inflações nacionais, há taxas básicas reais negativas. Leia o resto deste post »

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Lula e Meirelles – Janus da parceria insossa

Posted by Rodrigo Medeiros em 19 março, 2008

 Rodrigo L. Medeiros*

Conta o renomado historiador econômico David Landes, em ‘Dinastias’ (Elsevier, 2007), que John D. Rockefeller (1839-1937) começou a fazer caridade para limpar o nome da família da má fama de predadores adquirida pelos barões ladrões do capitalismo norte-americano. No entanto, o norte-americano médio ficara desconfiado no primeiro momento das reais intenções de Rockefeller.

O governador de Wisconsin, Robert La Follette disse: “Li ontem que Rockefeller compareceu novamente a um círculo de orações; amanhã, estará fazendo doações a alguma universidade. Ele dá com duas mãos, mas rouba com muitas” (FOLLETE apud LANDES, op. cit, p.231). Não se precisa gastar muito tempo para perceber que o capitalismo brasileiro não contou com os sentimentos de co-responsabilidade de um Rockefeller, que apesar de jogar duro na arena econômica, reconhecia a necessidade de serem criados bens públicos para sua sociedade. Leia o resto deste post »

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Renascimento Desenvolvimentista e Integração Econômica na América Latina

Posted by Rodrigo Medeiros em 29 fevereiro, 2008

Rodrigo Loureiro Medeiros (♣)

Fonte: OBSERVATORIO IBEROAMERICANO DEL DESARROLLO LOCAL Y LA ECONOMÍA SOCIAL.

Resumo:

O artigo em questão aborda o renascimento do pensamento desenvolvimentista na América Latina. Suscitam releituras dos intelectuais desenvolvimentistas os fracassos das políticas neoliberais em fornecer respostas satisfatórias aos dilemas da região. A escola cepalina passa a ser um ponto de passagem intelectual obrigatório para se debater novos projetos. Como não existem soluções prontas ou mesmo transplantáveis, as sociedades latino-americanas enfrentam os desafios da experimentação institucional. Questões associadas a projetos de integração regional integram o escopo desse artigo.

Palavras-chave: pensamento desenvolvimentista; América Latina; novos projetos; experimentação; integração regional.

(♣) Doutor em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ, pesquisador associado à REGGEN/UNESCO e membro da rede EFE do Levy Economics Institute of Bard College.

artigooidlesrmedeiros2008.pdf

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Desenvolvimento: uma perspectiva brasileira

Posted by Rodrigo Medeiros em 10 janeiro, 2008

Versão do artigo publicado na Revista Intellectus (http://www.intellectus.uerj.br/).

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc. (Reggen/Unesco)     

Discutir o tema desenvolvimento nunca foi uma tarefa simples no Brasil. Desde os calorosos debates entre desenvolvimentistas e monetaristas na década de 1950, este tema tem sido alvo de polêmicas entre progressistas e conservadores. No entanto, houve épocas em que a temática do desenvolvimento ganhou os corações e as mentes de brasileiros e brasileiras: o governo democrático de JK (1956-1961), que soube elevar a auto-estima nacional ao nível dos desafios da época, é um exemplo de sinergia gerada entre os diversos setores da vida nacional.

A eleição presidencial de 2002 marcou, de certa forma, no Brasil, a retomada da idéia de projeto democrático nacional de desenvolvimento. O Estado nacional tem um papel importante no desenvolvimento do País. Todos os quatro principais candidatos, inclusive o do governo FHC, recusaram o modelo adotado na década de 1990: “mercados são bondes condutores da prosperidade, deixem apenas que eles funcionem!” Não é necessário divagar muito para ver que o agravamento da questão social no Brasil traz riscos à ordem democrática.

A precarização das relações de trabalho – desemprego e subemprego -, o aumento da violência e a ausência de perspectivas dos jovens são fatores que geram instabilidade social. Um indivíduo que caminhe pelas principais cidades do País pode facilmente constatar que a vida em uma nação com brutais desníveis socioeconômicos não pode ser tranqüila. Contrariando a lógica hegemônica, os quatros principais presidenciáveis daquele tempo convergiram na campanha para a importância do papel do Estado na promoção do bem-estar da nação. O Estado, por exemplo, deve formular e implementar políticas ativas para desenvolver regiões, gerando renda e ajudando a integrar os diversos mercados internos, de forma a criar sinergia entre os diversos elos das cadeias produtivas.

Buscar-se-á refletir de forma contextual e global sobre o tema desenvolvimento democrático a partir de uma perspectiva brasileira. Leia o resto deste post »

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Política industrial e a entrevista do ministro Miguel Jorge

Posted by Rodrigo Medeiros em 6 janeiro, 2008

Rodrigo Loureiro Medeiros*

O ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, concedeu uma entrevista à Agência Estado (31/12/07), na qual ressaltou a importância de uma política industrial baseada em inovações.

No final de 2003 o governo Lula liberou as Diretrizes de Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. Pensou-se naquele momento que se entraria em um novo tempo de cooperação público-privada para o desenvolvimento nacional. Infelizmente a ortodoxia econômica gerenciada pelo senhor Antonio Palocci (PT-SP), então ministro da Fazenda, abortou qualquer tentativa estrutural de se construir um novo pacto capital-trabalho. Uma gestão macroeconômica denominada “ortodoxia de galinheiro” por Paulo Nogueira Batista Jr. seguiu o continuísmo fatalista da era fernandista. “Estamos em tempos de globalização, não há nada que se possa fazer (…)” Tais cantilenas estão esvaziadas pelas evidências empíricas recentes.

Com mais de 50% da força de trabalho brasileira precarizada (informalidade + desemprego), sabe-se bem o que mercados sob a concorrência imperfeita podem fazer. A taxa de investimento brasileira, medida pela formação bruta de capital fixo, não tem ultrapassado 20% do PIB. Certamente algo que incomoda os defensores do atual modelo econômico, pois os demais países em desenvolvimento que chamam a atenção apresentam taxas de investimento bem superiores. Leia o resto deste post »

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Desafios do século XXI

Posted by Rodrigo Medeiros em 2 janeiro, 2008

Rodrigo Loureiro Medeiros*

“(…) estabelecer prioridades em função de objetivos sociais coerentes e compatíveis com o esforço de acumulação seria a única forma de liberar a economia da tutela das grandes empresas”. – Celso Furtado, O mito do desenvolvimento econômico (Paz e Terra, 1974).

Considerado pela ONU como o Ano Internacional do Planeta Terra, 2008 promete interessantes debates desenvolvimentistas. Embora já se tenha adentrado formalmente no século XXI, observa-se a tradicional inércia brasileira. Certamente essa assertiva vale para muitos países ibero-americanos. Divididos pelo enfrentamento de problemas do passado e os desafios do futuro, essas sociedades escorregam no presente.

Uma coisa é clara: dificilmente os desafios do presente podem ser integralmente superados com soluções do passado. O mundo se tornou mais complexo, mais acelerado e menos generoso. Países retardatários não podem, portanto, contar com a boa vontade do sistema internacional. Leia o resto deste post »

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Tributos e serviços públicos: um debate necessário

Posted by Rodrigo Medeiros em 27 dezembro, 2007

Rodrigo Loureiro Medeiros*

Não se trata de nenhuma novidade o fato do brasileiro ter que conviver com uma das mais altas cargas tributárias do planeta. Segundo a Receita Federal, 34,23% do PIB brasileiro foram arrecadados em 2006.

Quando se analisa quantos dias o brasileiro precisou trabalhar para impostos, chaga-se a marca dos 146 dias do ano, considerando-se apenas a tributação direta (IR, INSS, IPVA e IPTU). Tributos arrecadados com extrema eficiência, porém a contrapartida do conjunto dos serviços públicos é de lastimar. Na França, por exemplo, o trabalhador precisa de 149 dias do ano para pagar seus impostos, já nos EUA, 102 dias. Em outros países latino-americanos, trabalha-se menos para sustentar as atividades de Estado: 97 dias na Argentina, 92 dias no Chile e 91 dias no México. Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Leia o resto deste post »

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Nova Agenda de Desenvolvimento Nacional: Uma perspectiva Evolucionária

Posted by Rodrigo Medeiros em 23 dezembro, 2007

Artigo apresentado no SIMGEN 2007, 12/09/2007.

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc.

Pesquisador associado à Reggen/Unesco

O artigo discute, a partir da análise comparativa de sistemas socioeconômicos, os desafios ao processo de desenvolvimento brasileiro. Convergências entre as escolas institucional e evolucionária são exploradas, estimulando a busca por alternativas engendradas endogenamente. Exemplos e conquistas alheias oferecem valiosos subsídios para o Brasil. A expansão da economia global e o baixo crescimento brasileiro revelam que muito poderia estar sendo feito pelas organizações públicas e privadas nacionais. Há, certamente, muitos diagnósticos e variadas intenções. Debater os caminhos viáveis para a evolução socioeconômica brasileira é o desafio aqui proposto. A questão institucional descrita pela teoria evolucionária da mudança tecnológica tem um papel central na argumentação. O recente lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento certamente é um ingrediente estimulador do debate. Leia o resto deste post »

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INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS E O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Posted by Rodrigo Medeiros em 18 dezembro, 2007

Rodrigo Loureiro Medeiros*

VERSÃO PARA IMPRESSÃO

Resumo – O artigo aborda a temática da inovação tecnológica e sua relação com o processo de desenvolvimento econômico. Trata-se claramente de um assunto polêmico. No entanto, durante o século 20 e atualmente há vários registros acadêmicos qualificados de como políticas dessa natureza impulsionam transformações em diversos aspectos da vida humana. Observa-se que o relacionamento entre instituições é um dos seus aspectos centrais. Para um país como o Brasil, esse debate traduz-se na exploração das possibilidades de construção de uma sociedade mais eqüitativa, além de se buscar evitar erros e omissões do passado. Ressalta-se ao longo do texto como o sistema nacional de intermediação financeira revela-se o principal ponto de estrangulamento ao desenvolvimento econômico sustentado brasileiro. Destaca-se, também, que o desenvolvimento dos países não é obra do acaso. A construção de competências tecnológicas é parte integrante desse complexo processo histórico.

Palavras-chave – Inovações tecnológicas. Desenvolvimento econômico. Competências tecnológicas.

Abstract – This paper deals with the relation between technological innovations and economic development, which has been clearly a controversial subject. However, during the 20 century and currently, there are some qualified academic registers of such matter showing how human life has been changed. It is observed that the relationship between institutions is one of its central aspects. For a country as Brazil, this debate expresses the exploration of the possibilities to construct a more equitable society. Errors and omissions from the past can be prevented. The Brazilian financial market is the main bottleneck to the country’s sustained economic development. It is also distinguished that the development of the countries is not the work of an invisible hand. The construction of technological competencies is part of this process.

Key words – Technological innovation. Economic development. Technological competencies.

Jel Classification – O, Economic development, technological change and growth. O25, Industrial policy. O32, Management of technological innovation and R&D.

* Pesquisador associado à Reggen/Unesco.

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Sustentabilidade Sócio-Ambiental nas Regiões Metropolitanas Brasileiras: Evitando o Colapso dos Sistemas de Abastecimento de Água.

Posted by Rodrigo Medeiros em 11 dezembro, 2007

Versão do artigo publicado na revista do Observatorio Iberoamericano del Desarrollo Local y la Economía Social (OIDLES), v. 1, n.0, jun.2007.

Rodrigo Loureiro Medeiros, D.Sc. – Cátedra e Rede de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen/Unesco)

Resumo

O artigo discute, a partir da perspectiva sistêmica, as dificuldades de gestão sustentável dos recursos hídricos nas metrópoles brasileiras. Ao longo da segunda metade do século XX, a aglomeração urbana foi agravada pela concentração dos investimentos industriais. Embates políticos travados nos episódios da guerra fiscal da década de 1990 tampouco contribuíram para equilibrar as oportunidades de desenvolvimento. Apesar de o Brasil ter sediado o importante evento Rio 1992, a fragmentada agenda nacional devotou poucos esforços na efetivação de uma proposta de desenvolvimento sustentável. O recente alarme global provocado pelo Painel Intergovernamental para Mudança Climática das Nações Unidas demanda uma nova postura da sociedade brasileira. Dificilmente os desafios presentes podem ser enfrentados com as soluções do passado. Subsídios das experiências estrangeiras podem ajudar, porém a criatividade nacional precisará ser exercitada. Leia o resto deste post »

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Capitalismo familiar e desenvolvimento nacional: tradição x modernidade?

Posted by Rodrigo Medeiros em 4 dezembro, 2007

Rodrigo Loureiro Medeiros*

Famílias controlam de 60% a 90% do total das empresas no mundo. Dois terços do Produto Nacional Bruto e dos empregos em diversos países são administrados pelas mesmas. A lista da Fortune 500 revela que um terço das quinhentas maiores empresas eram controladas por famílias ao longo da década de 1990. Seu desempenho médio foi superior ao das concorrentes não-familiares.

Estranho silêncio quanto a essa temática presencia-se no Brasil. O livro Dinastias (Rio de Janeiro: Elsevier, 2007), do renomado professor David Landes, representa uma oportunidade de se retomar o debate do desenvolvimento nacional, em alto nível, a partir de uma perspectiva considerada “fora de moda”. Pode-se seguramente dizer que os adeptos do neoliberalismo deverão reagir. Sua concepção ideológica da impessoalidade das relações nos mercados seria seriamente abalada. A mão visível das relações sociológicas, por sua vez, dificilmente poderia ser descrita por modelos abstracionistas de uma suposta economia matemática. Leia o resto deste post »

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A Ausência de Celso Furtado

Posted by Rodrigo Medeiros em 18 novembro, 2007

Por Rodrigo Loureiro Medeiros

Há três anos atrás, mais especificamente no dia 20/11, falecia Celso Furtado.   Tratou-se de um dos fundadores da economia política no Brasil e um dos maiores pensadores do desenvolvimento periférico, o subdesenvolvimento. Furtado nasceu em Pombal, em 1920, interior da Paraíba, e cresceu no meio das iniqüidades brasileiras e das grandes transformações globais provocadas pela crise de 1929.

Mudou-se para o Rio de Janeiro no final da década de 1930 para cursar Direito na Universidade do Brasil. Posteriormente, esteve nos campos de batalha da Itália durante a Segunda Guerra com a Força Expedicionária Brasileira ao lado dos Aliados, contra o nazi-fascismo. Ao longo de seu doutoramento em Economia na Universidade de Paris, vivenciou a grande concertação política da reconstrução européia. Sob a influência de pensadores dos quilates de Mannheim e Marx, percebe claramente a relação entre economia e política. Leia o resto deste post »

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REPÚBLICA E CIDADANIA

Posted by Rodrigo Medeiros em 13 novembro, 2007

“A cidade, a República e a cidadania continuam dissociadas, quando muito perversamente entrelaçadas. O esforço de associá-las segundo o modelo Ocidental tem-se revelado tarefa de Sísifo. Já é tempo talvez de se fazer a pergunta se o caminho para a cidadania não deve ser outro”. – José Murilo de Carvalho, Os bestializados (Companhia das Letras, 1987).

A formação econômica brasileira já foi objeto de trabalhos clássicos. Os ciclos econômicos mundiais afetaram a organização do espaço sócio-político brasileiro desde os tempos coloniais. A inserção externa primário-exportadora, irmã siamesa da concentração de renda, legitimou práticas abomináveis como a escravidão praticada pelos donos dos meios de produção.

Não é de se estranhar que a mentalidade escravista ainda se faz presente na postura de muitos. O trabalho escravo, apesar de proibido pela Constituição de 1988 e veemente condenado pela Organização Internacional do Trabalho, ainda é uma praga que assola o Brasil. Leia o resto deste post »

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INTEGRAÇÃO SUL-AMERICANA E OUTRAS QUESTÕES ESTRATÉGICAS

Posted by Rodrigo Medeiros em 5 novembro, 2007

por Rodrigo Loureiro Medeiros

Muitos fatores tumultuam a agenda de construção e consolidação institucional do Mercosul. Seria possível o Brasil aceitar um projeto de integração sul-americana sob a confusa liderança ideológica do senhor Hugo Chávez? Alguns ainda acreditam que sim e buscam acelerar o Banco do Sul, uma espécie de BNDES do subcontinente, cuja sede está prevista para Caracas.   

Numa sociedade democrática e pluralista, algumas questões deveriam ser objetos de maiores discussões. Quem são os principais articuladores e como a respectiva rede de grandes interesses desdobra-se nos diversos espaços nacionais envolvidos? Estariam esses agentes reproduzindo, conscientemente ou não, a histórica concentração dos benefícios e a socialização dos prejuízos a partir da utilização de recursos públicos? O processo em curso mostra-se hermético e, portanto, suscetível ao tráfico de influências? Quais são as efetivas regras do jogo desse processo? Estariam elas ao sabor dos personalismos? Leia o resto deste post »

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